Lendo Junto entrevista Nair Gurgel do Amaral

14:30


Olá queridos leitores!!!


É com imensa alegria que estamos iniciando nossa coluna de entrevistas! 😍


Vamos prestigiar aqui as personalidades da nossa região, do Brasil, do mundo (haha - olha, quem sabe 😆) que contribuem para a formação dos pequenos leitores; aqueles que, com seu trabalho, conhecimentos e dons, incentivam e estimulam este hábito tão rico para nossas crianças, e nos ajudam nesta nossa caminhada de aprendizado junto com nossos filhos!!!


E a coluna já começa em grande estilo, com uma entrevistada pra lá de especial: a Profª. Nair Ferreira Gurgel do Amaral!!!


Sou suspeita pra falar dela, pois sou muito fã da Nair rsrsrs... Admiro-a como pessoa de um coração generoso, ser humano extraordinário, excelente profissional (já trabalhei com ela - eu e minhas amigas apelidamos a Nair carinhosamente de "nossa Lady"), esposa e mãe dedicada, avó coruja, professora universitária excepcional (lembro-me daquele primeiro semestre de Linguística Geral - como mudou totalmente nossa visão de mundo e do que aprendemos nas aulas de português da escola...), enfim, são muitas qualidades!! hahaha...


A Nair, junto com a bibliotecária Glória Valladares (em breve teremos uma entrevista com ela também!) e um grupo de professoras da UNIR (Universidade Federal de Rondônia) idealizaram o Projeto Leitura no Sítio, que acontece no sítio da Glória. É uma iniciativa fantástica que visa aproximar a comunidade da leitura, e o melhor: aberta ao público!!! Fiquem atentos que iremos divulgar mais sobre a Leitura nos próximos posts e nas nossas redes sociais - segue a gente no face, insta e twitter ;)


Com vocês, nossa entrevistada especial:


Lendo Junto: Fala pra gente um pouquinho de você... Quem é a Nair Ferreira Gurgel do Amaral?
Nair Gurgel: Nasci no pantanal sul mato-grossense, cidade de Coxim/MS. Casei com um amazonense com quem vivo há 50 anos. Vim morar em Porto Velho/RO no ano de 1972, já com 2 filhos. Hoje tenho 4 filhos, dois nasceram aqui. Todos são adultos  e possuem entre 34 e 49 anos. Sou avó de 4 netos, duas meninas e 2 meninos. Excetuando a mais nova, Maria Teresa que possui 6 anos, os outros 3 também já são adultos. Este ano completam 45 anos que moro aqui. Portanto, já me considero uma “beradeira”. Sou formada em Letras pela UNIR, cursei Mestrado na UNICAMP e Doutorado na UNESP de Araraquara. Posteriormente fiz um Pós-Doutorado na UNICAMP também. Sou professora da Universidade Federal de Rondônia e atuo na graduação no curso de Letras/Português e em dois Mestrados: de Letras e de Educação. Gosto muito do que faço, amo minha família e trabalho pela conscientização da valorização da Educação. Acredito na força da leitura enquanto alavancadora de mudanças e tenho me empenhado na luta contra a discriminação e o preconceito.
LJ: Como iniciou seu trabalho com a leitura e o letramento? Pode nos explicar um pouquinho sobre sua pesquisa no GEAL (Grupo de Estudos Integrados sobre Linguagem, Educação e Cultura)?
NG: Sempre gostei de ler e isso foi fundamental na minha escolha pelo curso de Letras. Depois, foi só encontrar pessoas certas em momentos certos para atuar. Antes de ser professora universitária, já levava para as escolas públicas o incentivo à leitura. Na UNIR, criamos um Grupo de Estudos para atuar em comunidades ribeirinhas, levando letramento para aquelas populações. Desde 2002, quando o grupo foi criado, via Projeto “Alfabetização de Ribeirinhos na Amazônia”, temos atuado em diferentes comunidades, atendendo, principalmente escolas do ensino fundamental. Os resultados das pesquisas realizadas pelo grupo em comunidades ribeirinhas têm nos propiciado muita satisfação. A publicação de livros que falam sobre lendas, culinária e vocabulário, por exemplo, é parte do trabalho na valorização da cultura portovelhense.

 LJ: Como se deu o início do projeto Leitura no Sítio? Conte-nos um pouquinho de sua história…

NG: A parceria do GEAL com o Projeto “Leitura no Sítio” foi apenas a formalização de um trabalho que vinha sendo feito com a Glória Valadares desde a época em que eu era estudante de Letras e ela Bibliotecária responsável pela Biblioteca Municipal Francisco Meireles. Glória sempre foi muito dedicada e envolvida com a formação de leitores e, ao se aposentar, resolveu abrir as portas do seu sítio, situado no Bairro Triângulo, para levar livros e leituras para as crianças. Isso aconteceu há mais de 11 anos, já a participação da Glória no grupo de pesquisa GEAL é desde sua fundação, portanto há mais de 15 anos.


LJ: Com certeza algumas histórias de aprendizado ou superação através da leitura e do letramento marcaram esta longa caminhada na sua vida de professora e pesquisadora... Você pode nos contar algumas aqui? 
NG: A maior alegria de quem ensina é ver resultados, mas é, sobretudo, verificar que os resultados vieram a partir de ações desenvolvidas com prazer e confiança de que o trabalho realizado não seria em vão. Seja nas escolas ribeirinhas, nas escolas públicas ou particulares, na Universidade ou no Projeto Leitura no Sítio há muita história de superação, alegria e vitória via leitura, principalmente. Porém nossa satisfação também está na conquista do professor, esse que é o formador inicial dos leitores. É muito bom ouvir depoimentos de reaproximação com o livro, afastado por falta de habilidade de alguns professores. Melhor ainda é saber que a leitura aproximou os pais, embalou as noites das famílias, possibilitou a um idoso o primeiro contato ou afastou o estranhamento e a repulsa de adultos ditos escolarizados. Como não vibrar com crianças que vimos iniciar na leitura dos contos de fada e hoje estão fazendo cursos universitários? São muitas histórias que talvez nem caibam em um livro só. Ler é fascinante mesmo. Isso não é discurso vazio. Só sabe quem experimenta, quem divide, quem propicia.
LJ: Lembro-me de escrever para você, aflita, sobre como poderia estimular a leitura com minha primeira filha, na época, com um ano de idade... Pois ela costumava rasgar tudo o que via pela frente! rsrs... Você pode compartilhar com nossos leitores as suas dicas de como estimular este hábito já com os bebês?
NG: Filhos de pais leitores já saem na frente. Pais que leem para os filhos ainda na barriga da mãe estimulam a sensibilidade leitora dos bebês. Estímulos visuais, táteis e auditivos favorecem a leitura. Então, contar histórias, conversar com os bebês. Oferecer livros de plástico na hora do banho, de pano, para brincar. Deixar os livros misturados com outros brinquedos. Sem proibições. Pode até rasgar, se for o caso, melhor do que ocultá-los. Quem não conhece, não pode gostar. Enquanto a criança não sabe que o objeto livro tem uma função: ser lido, dê a ela livros de folhas resistentes, duras, de pano ou de plástico. Mas continue deixando-os à mostra. Leia sistematicamente para os bebês, assim eles acostumarão com a rotina. Quando as crianças forem maiores, leve-as para escolher os livros nas livrarias e nas bibliotecas, dê livros de presente para outras crianças também. E não se esqueça: nunca castigue seu filho mandando-o ler um livro.Ler deve ser prêmio e não castigo.



LJ: Quais livros ou autores você recomendaria a quem deseja montar uma boa biblioteca para suas crianças?
NG: O mercado editorial para crianças é vasto. Não haverá problemas na escolha. Na fase inicial, a preocupação não deve ser focada apenas na qualidade, mas na exposição quantitativa de livros à criança. Existem grandes, pequenos, coloridos, os conhecidos livros de brincar que abrem, fecham, dobram, escondem figuras, verdadeiros jogos. Existem os que possuem pouco texto verbal e mais texto visual. Quando a criança já souber ler, pode-se começar a apostar na qualidade literária a partir da escolha de autores reconhecidos e premiados. Não esquecer de oferecer os clássicos contos de fada e Monteiro Lobato. Depois, Ziraldo, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Bartolomeu Campos Queirós, Ricardo Azevedo, Roger Mello, Lygia Bojunga, Marina Colassanti. É bom variar o gênero: contos, lendas, fábulas, poesia, folclore. Vale tudo e todos, mas o melhor é estar junto, sempre. Levar este gosto para a escola, para os professores, principalmente. Cuidado! É comum a criança desencantar-se com os livros quando a escola o introduz para fazer cobranças ainda nas séries iniciais, Resumo, resenha, etc, só devem ser solicitados depois que tivermos conquistado o leitor e o mesmo adquirir maturidade com a leitura. 

LJ: Como os pais podem ler as histórias para seus filhos de uma maneira mais atraente e divertida?

NG: Gosto da interação. Apresentar o livro e levantar algumas perguntas que acionem o conhecimento prévio da criança. Por exemplo: a partir do título “O menino maluquinho”, perguntar para a criança, antes de começar a leitura: Você sabe o que é maluquinho? O que você acha que um menino maluquinho é capaz de fazer?Fazer uma seção de cinema, a partir de um livro escaneado e colocado em PowerPoint, também funciona muito. Pode-se preparar a história previamente e encená-la com improvisos no meio da história, inclusive com trechos de músicas infantis conhecidas. Uma dica: nunca leia um livro para criança sem tê-lo lido antes. Você pode ter surpresas ou dificuldades, além de poder se decepcionar e não se envolver com a história. Isso é ruim para a formação de leitores.



Nair, muitíssimo obrigada por sua entrevista e dicas valiosas!!!


Esperamos que vocês tenham gostado, pois vem mais conteúdo legal pela frente!!!


Qualquer dúvida, lembrem de nos contactar pelo e-mail ou redes sociais :D


Nos vemos em breve nos próximos posts,


Um abraço,
Jaqueline

(Fotos: acervo pessoal da entrevistada)

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